quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Promessa

   Verão é tempo de praia e sol e calor..

   É, mas para mim fazia algum tempo que o verão só representava calor.
   Não só pra mim, sei que muitas pessoas não ligam para a parte boa do verão, ou pelo menos a aproveitável. O mundo inteiro vive numa correria, trabalho, trabalho e trabalho. Formiguinhas que não param nem no inverno.

   Mas, esquecendo um pouco da vida e deixando de lado algumas responsabilidades, fui às praia no meio da semana, me deixar viver o que passa por mim e nem sequer vejo.

  Antes, eu via o Mar todos os dias no caminho para o trabalho. Sentia aquela brisa e o calor... ah, o calor..

  Sentindo a brisa eu me sentia também na obrigação de fazer uma promessa diária, a qual desejava cumprir mais que qualquer coisa, e acabava fazendo qualquer coisa, deixando passar a sensação de ter as ondas batendo em mim e a areia massageando minha pele;

  Prometia ir à praia no fim de semana.

  Não havia nada que me impedisse, chuva, falta de sol, falta de tempo...  Não haviam fins de semana que me fizessem ficar com menos remorso por não cumprir minha promessa.

  Meses se passaram até que parei de passar todos os dias de frente ao Mar, e minhas promessas pararam de ser feitas. Já estava esquecendo até que eu prometia...

   Passei a viver então as coisas que não vivia em casa, a minha vida antes de todo o frenesi e movimento que não me deixavam, sequer parar para assistir tv, por cansaço ou falta de tempo.

  Meu tempo que era dividido em 3 horas rodando dentro de ônibus, 10 horas perdidas num emprego que eu odiava e pouco mais de 2 ou 3 para comer e me entreter, as outras que sobravam eram de sono.

  Eis que chega o Natal, o Ano Novo e a família vem de fora, para visitar e me fazer cumprir a promessa. Sem que eu soubesse que a vida programava me fazer sentir o Sol e o Mar que há tempos eu não sentia.

 Chegou meu dia então.

  Sem nenhuma cerimônia tirei minha roupa e fui saltitando até o nível da água onde eu podia, porque não sei nadar, e o Mar me abraçou, a água me fez ficar quente, eu senti a vida que tinha ali dentro.

  É difícil de descrever o quanto eu me sinto bem dentro do Mar. As coisas tristes parecem ter medo de entrar na água também, elas devem ser como crianças que tem medo das ondas, da água salgada e do movimento.

  Me senti nova.
  E estou guardando essa sensação até agora.

Um comentário:

  1. pri minha querida.
    Adoro a maneira como vc escreve. adoro!
    adorei esse texto, e depois ver as fotos do orkut do tal "dia" foi otimo!
    sinto sua falta!
    estarei mais por aqui!
    te amo
    :D

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